A recente publicação da Resolução nº 1.551/2025 pelo COFECI marca um novo capítulo na história do mercado imobiliário brasileiro. Pela primeira vez, corretores de imóveis passam a ter autorização formal para intermediar a venda de tokens imobiliários — ativos digitais que representam frações ou a totalidade de direitos sobre imóveis. Essa mudança traz não apenas uma evolução tecnológica, mas também um novo mundo de possibilidades para profissionais da área.
O que muda na prática?
Com a nova regulamentação, surge um ecossistema estruturado para a tokenização imobiliária, com a criação das PITDs (Plataformas Imobiliárias para Transações Digitais) e dos ACGIs (Agentes de Custódia e Garantia Imobiliária). As PITDs serão responsáveis por emitir, custodiar e negociar os TIDs (Tokens Imobiliários Digitais), enquanto os ACGIs garantirão a integridade e a segurança jurídica dos ativos.
O corretor, por sua vez, permanece como figura central nesse processo, atuando na validação documental, na orientação ao cliente e no cumprimento de requisitos como o KYC (Conheça Seu Cliente) e as normas de prevenção à lavagem de dinheiro.
Do que já fazíamos para o que podemos fazer agora
Até então, a atuação dos corretores era restrita a transações presenciais, com contratos tradicionais e processos burocráticos. Agora, com a possibilidade de tokenização, surgem novas oportunidades:
Fracionamento de imóveis para investimento por pequenos poupadores;
Aumento de liquidez e agilidade nas transações;
Integração com tecnologias como blockchain e smart contracts;
Expansão do portfólio de serviços oferecidos pelos corretores.
Essa mudança também traz mais transparência e rastreabilidade aos processos, aumentando a confiança de compradores e investidores.
Um novo mercado se abre
Para o corretor que decidir se atualizar e se adaptar a esse novo modelo, o potencial é enorme. Além de ampliar o escopo de atuação, ele pode se posicionar como consultor de inovação digital, conectando clientes a plataformas de tokenização e garantindo a segurança de todo o processo.
O mercado também ganha em dinamismo, com possibilidade de maior rotação de ativos, atração de novos perfis de investidores e entrada em tendências como o financiamento coletivo, os investimentos ESG e a democratização do acesso à renda imobiliária.
Desafios e atenções
Ainda há resistências institucionais, como a manifestação do IRIB (Instituto de Registro Imobiliário do Brasil), que considera que a resolução extrapola a competência do COFECI. Além disso, o sistema cartorial ainda não está totalmente adaptado à tokenização, o que exige cautela nas primeiras operações.
Conclusão: o futuro é agora
A tokenização não é apenas uma tendência: é uma nova realidade. Com a regulamentação, os corretores de imóveis têm a chance de ocupar um papel protagonista na transformação digital do setor. Esta resolução ainda é apenas o começo: para que se consiga de fato transacionar imóveis tokenizados, será preciso superar entraves nos cartórios de registro e promover uma mudança cultural no mercado. Mas uma nova gama de oportunidades já desponta no horizonte, e merece a atenção de quem deseja se preparar e estudar esse novo caminho.
E você, já está se preparando para esse novo momento?